Biografia e Plataforma de Noémie B.

Biografia

No Ensino Fundamental, Noémie B descobriu o prazer de compartilhar obras transformativas com fanarts de My Little Pony. Desde então, ela passou um tempão em fandoms de livros, Ficção com Pessoas Reais (RPF), fandoms de anime, e agora também curte K-pop. Por mais que não seja uma participante muito ativa em fandoms, ela era (e ainda é) muito interessada em estudos acadêmicos sobre fandoms e projetos de fãs. Por isso, decidiu se juntar à OTW (Organização para Obras Transformativas) como uma forma de contribuir para a comunidade de fãs como um todo.

Desde 2015, ela é uma organizadora de tags e, como supervisora desde 2018, teve a oportunidade de colaborar com o comitê do Portas Abertas e o de Suporte. A sua experiência como voluntária da OTW a ajudou no seu crescimento pessoal e também a aprimorar o seu vocabulário em inglês, a sua habilidade de trabalhar em equipe e, às vezes, assumir o papel de mentora.

Fora do fandom, ela trabalha como fonoaudióloga (e também é sua própria secretária e contadora). Ela ama palavras e línguas, e quer ajudar pessoas a vivenciar a beleza de criar, ler e compartilhar histórias. Ela acredita veementemente nas missões e nos valores da OTW.

Plataforma

1. Por que você decidiu participar das eleições para o Conselho de Administração?

A ideia de participar das eleições para o Conselho já passou pela minha cabeça diversas vezes ao longo dos últimos anos. Desde que descobri os projetos da OTW, eles têm sido uma fonte incrível de conforto e estabilidade na minha vida (especialmente o Archive of Our Own – AO3 (Nosso Próprio Arquivo), onde todos os dias encontro histórias para dormir), e eu valorizo muito o tempo que dedico ao voluntariado. O desejo de retribuir algo a fãs que criam e produzem conteúdo é o que me motivou a iniciar o voluntariado e é o que me mantém interessada em aprender cada vez mais.

Ao decidir participar dessa eleição, queria garantir que possamos disputar sem a necessidade da participação de candidaturas reservas. Acredito que quem participa das eleições deveria encontrar satisfação no processo, e ter disposição e mostrar comprometimento ao cargo em caso de vitória.

Estou muito interessada nos diversos projetos da OTW, tais como a Fanlore e a Transformative Works and Cultures – TWC (Obras e Culturas Transformativas), e nos diversos comitês da OTW. O cargo de organizadora de tags me permitiu aprender mais sobre alguns comitês (como Suporte ou Tradução), e espero entender melhor a estrutura e os objetivos da OTW. Participar dessa eleição é uma oportunidade de descobrir um outro aspecto da OTW. Da mesma forma, tornar-me um membro do Conselho me permitiria aprender mais sobre os projetos da OTW de uma perspectiva interna e ajudar a desenvolver projetos com os quais estou menos familiarizada.

Não me candidatei nas eleições dos últimos anos, porque sabia que não teria tempo e recursos suficientes para participar do Conselho. Agora, estou confiante de que posso corresponder às suas expectativas.

2. Que aptidões e/ou experiência você traria para o Conselho?

Como fonoaudióloga, tenho a oportunidade de trabalhar com pessoas de diversas origens e com perfis muito diferentes. Ser capaz de aceitar cada paciente como é é algo essencial, então sempre busco ser empática, paciente e honesta. Isso também vale para colegas de profissão. Por mais que trabalhar com outras pessoas da área da saúde possa ser desafiador, é uma ótima maneira de aprender mais sobre os limites e as vantagens de considerar diversos pontos de vista antes de tomar uma decisão.

O meu tempo como voluntária e supervisora da Organização de Tags também tem sido muito enriquecedor no quesito de crescimento pessoal. Workflow, ferramentas e o processo de treinamento têm passado por diversas mudanças desde que comecei o voluntariado. Portanto, entendo a necessidade, como indivíduo e membro da equipe, de permanecer atualizada. Colaborar com outros comitês também me fez perceber a importância de aumentar as relações dentro dos comitês e aprender as limitações de outras pessoas para entendê-las melhor.

Tenho experiência com diferentes tipos de modelos de gestão fora da OTW, e sei da importância de um bom ambiente de trabalho. Gentileza e respeito são muito valorizados dentro da organização e acredito que isso é uma das nossas maiores qualidades. Serei sempre cuidadosa com problemas relacionados à comunicação e à linguagem para preservar o bom convívio.

A respeito das responsabilidades do Conselho, tenho costume de fazer planos a longo prazo para atingir objetivos e trabalho bem com prazos definidos. Tarefas de gestão e aspectos legislativos do Conselho não me assustam (afinal, semanalmente tenho o prazer de lidar com o sistema de administração francês). Finalmente, estou aberta às críticas, principalmente porque sempre estou em processo de aprendizado, e o autodesenvolvimento só é possível a partir da aceitação dos meus próprios erros.

3. Escolha uma ou duas metas para a OTW que são importantes para você e nas quais você teria interesse em trabalhar durante seu mandato. Por que você valoriza esses objetivos? Como você trabalharia com outras pessoas para alcançá-los?

O meu principal objetivo – assim como de muitas candidaturas passadas – é continuar a fazer a OTW o mais inclusiva e acessível possível. Ainda não é possível, mas ter a interface do AO3 disponível em diversas línguas seria um grande passo para torná-lo mais acessível para não-falantes da língua inglesa ao redor do mundo. Ao longo dos últimos anos, nós vimos um aumento no fluxo de novas pessoas que usam o AO3. Muitas são não-falantes ou não-nativas da língua inglesa. Como alguém que é não-nativa dessa língua, entendo a importância dos comitês de Acessibilidade, Design e Tecnologia, e Tradução. Quero garantir a continuação dos nossos esforços e que possamos encontrar soluções que permitam que pessoas de diferentes origens, diferentes níveis de familiaridade com nossos projetos, e diferentes deficiências possam usar e interagir com os projetos da maneira mais confortável possível.

No ambiente interno da organização, o nosso principal objetivo seria melhorar colaborações entre comitês. Muitas vezes, eles precisam colaborar entre si, e tenho certeza que maiores projetos poderiam ocorrer se uníssemos as nossas habilidades e compartilhássemos nossas limitações e objetivos. A colaboração é essencial para resolver problemas complexos e isso também previne suposições e mal-entendidos. Felizmente, nós temos ferramentas como a wiki interna e a plataforma de chat, que são ótimos recursos para aprender sobre outros comitês e para garantir a comunicação entre pessoas voluntárias. Entretanto, acredito que ainda há espaço para gerar melhor coesão na OTW. Além da nossa newsletter interna, podemos atualizar documentos de treinamento para encorajar um entendimento mais amplo da OTW como um todo, ou organizar eventos internos com regularidade.

Por fim, considerando eventos recentes, acredito que devemos enfatizar a importância de aplicar políticas rígidas para proteger nossa equipe voluntária e seus dados pessoais.

4. Que experiência você tem com os projetos da OTW e como você colaboraria com os comitês em questão para os apoiar e fortalecer? Tente incluir diversos projetos, mas fique à vontade para enfatizar particularmente aqueles com que você tem experiência.

O nosso maior projeto, e o mais conhecido entre membros da OTW, é o AO3. Esse é o projeto com que tenho mais experiência, tanto como usuária quanto como voluntária. Com o passar do tempo, vi ele evoluir e tornar-se mais complexo. Eu sei o quanto tempo e energia é necessário para o site funcionar tão bem quanto agora. Como afirmei anteriormente, espero que, ao realizar colaborações entre comitês, seremos capazes de continuar melhorando a interface do site sem deixar de lado os recursos necessários.

Por causa da minha formação acadêmica, sei que pesquisa e publicação são essenciais para explorar áreas de interesse, e para que sejam devidamente reconhecidas. Como um jornal acadêmico, a TWC é um projeto importante que deve ser apoiado e fortalecido para ajudar os estudos acadêmicos sobre fandom a serem reconhecidos.

Como usuária e, às vezes, como voluntária, também me familiarizei com a Fanlore e o Open Doors (Portas Abertas) (em buscas por obras e mapeamento de tags). Esses projetos também são essenciais para preservar a história do fandom.

Mudando de tema, vale a pena lutar por nossos direitos e nossas liberdades, e sou eternamente grata às pessoas que os defendem e ao Legal Advocacy (Ativismo Jurídico) pelo trabalho.

Penso que cada projeto da OTW e comitês relacionados deveriam ter acesso às ferramentas e aos recursos necessários. É dever do Conselho garantir que pessoas voluntárias sintam-se confortáveis em compartilhar suas necessidades e certificar-se que essas necessidades sejam atendidas. Assim, as pessoas poderão permanecer envolvidas enquanto trabalham nas melhores condições possíveis.

5. Como você pretende equilibrar seu trabalho no Conselho com seus outros cargos na OTW ou, se for o caso, como planeja se afastar de suas responsabilidades atuais para se focar no seu trabalho no Conselho?

Não tenho intenção de abandonar nenhum dos meus papéis atuais dentro da OTW, mas sempre garantirei a prioridade de qualquer tarefa do Conselho.

Permanecer ativa como organizadora de tags não deverá ser um problema, já que sempre posso reavaliar o tempo que passo nisso e, conforme for necessário, ajustar o número de fandoms pelos quais sou responsável.

Se for necessário, eu não terei qualquer problema em buscar sugestões e conselhos. Felizmente, tenho certeza que o time de supervisão da Organização de Tags não sofrerá um impacto negativo se, algum dia, eu pedir um hiato. Porém, espero encontrar o equilíbrio necessário para administrar ambos.